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Café no Brasil: 300 anos e um buquê suspeito.

há 10 minutos
2 min de leitura

No próximo ano, 2027, fazem 300 anos da chegada do café ao Brasil. Uma história que começa com uma missão oficial e ganha, na sua versão mais famosa, ingredientes de romance, contrabando e um marido que talvez não tenha percebido nada.



No início do século XVIII, o café já conquistava os europeus. Na França, animava conversas dos iluministas; na Inglaterra, abastecia as chamadas penny universities: cafés onde, era possível tomar a bebida, ouvir novidades e discutir os problemas do mundo.

O cultivo avançava pelas colônias tropicais francesas e holandesas, embora o café viesse de outras regiões, como a Ethiopia, Kenya e Yemen. Conseguir sementes capazes de germinar muito mais dificil do que comprar café. Café era uma bebida relativamente rara e muito cara nessa época.


Foi nesse cenário que João da Maia da Gama, governador do Estado do Maranhão e Grão-Pará, enviou o sargento-mor Francisco de Melo Palheta à Guiana Francesa, em 1727. A missão oficial envolvia questões de fronteira, mas havia também uma encomenda muito especial: conseguir sementes de café para plantar no Brasil.


Em Caiena, governava Claude d’Orvilliers. Os franceses protegiam suas plantas e proibiam a venda aos portugueses de café “capaz de nascer”. Palheta precisava, portanto, de alguma habilidade além da diplomacia.


É aí que entra Madame d’Orvilliers, esposa do governador. Segundo a versão mais saborosa da história, ela teria se encantado pelo visitante e, na despedida, oferecido um buquê com sementes de café escondidas entre as flores. Um presente romântico com excelente potencial agrícola.



O romance e o buquê pertencem à tradição, sem comprovação segura. A bagagem foi maior do que uma única muda: em um requerimento, o próprio Palheta mencionou “mil e tantas frutas e cinco plantas de café”. Pelo visto, a missão rendeu.

Plantado inicialmente no Pará, o café se espalhou pelo Maranhão e por outras regiões. No século XIX, sua expansão pelo Rio de Janeiro e pelo Vale do Paraíba, transformou a economia brasileira. Na década de 1840, o país já liderava a produção mundial. Hoje, continuamos como o maior produtor e o segundo maior consumidor de café do mundo.

Uma trajetória de três séculos, milhões de hectares e incontáveis xícaras.


Mas a versão mais divertida continua sendo aquela em que tudo começou com Palheta, Madame d’Orvilliers e um buquê que merecia ter passado pela alfândega.

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