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Como a antiga Fazenda Monte Alegre transformou Ribeirão Preto, em potência mundial do café


Propriedade, que hoje abriga o campus da USP, foi comprada por Francisco Schmidt em 1890 e chegou a concentrar milhões de pés de café. Sede da fazenda virou museu.



A história de Ribeirão Preto (SP) está diretamente ligada ao café e um dos principais símbolos desse período é a antiga Fazenda Monte Alegre, propriedade que ajudou a transformar a cidade em referência mundial na produção do grão.


O café também consolidou a trajetória do coronel Francisco Schmidt, conhecido como o "Rei do Café". No auge da produção cafeeira, ele chegou a ter 16 milhões de pés de café nas fazendas que administrava, espalhadas pelo interior de São Paulo.


A chegada do café no Brasil


O início do século XVIII marcou a chegada do café ao Brasil, então colônia de Portugal, pelas mãos do português Francisco de Melo Palheta, que trouxe os grãos para a região Norte do país.


Algumas décadas depois, o café já era cultivado no Maranhão e no Pará, expandindo-se depois para o Rio de Janeiro. O primeiro contato do Estado de São Paulo com o produto foi somente na década de 1830, quando o grão chegou ao Vale do Paraíba.


A expansão da cafeicultura na região de Ribeirão Preto ganhou força a partir de 1876, quando o médico e agrônomo Luiz Pereira Barreto passou a divulgar as qualidades da terra roxa para o cultivo do café.


O solo fértil atraiu investidores e produtores para o interior paulista, impulsionando o desenvolvimento econômico de Ribeirão Preto.



Vista de trabalhadores junto à locomotiva e vagões para transporte de café na Fazenda Chimborazo da Companhia Agrícola Ribeirão Preto — Foto: Arquivo Histórico de Ribeirão Preto
Vista de trabalhadores junto à locomotiva e vagões para transporte de café na Fazenda Chimborazo da Companhia Agrícola Ribeirão Preto — Foto: Arquivo Histórico de Ribeirão Preto

Em 1890, a propriedade foi adquirida por Francisco Schmidt e Arthur Diederichsen. Pouco tempo depois, Schmidt tornou-se o único proprietário da fazenda.



Coronel Arthur Diederichsen (à esquerda), Coronel Francisco Schmidt (no centro) e Dr. Francisco de Freitas Ramos — Foto: Arquivo Histórico de Ribeirão Preto
Coronel Arthur Diederichsen (à esquerda), Coronel Francisco Schmidt (no centro) e Dr. Francisco de Freitas Ramos — Foto: Arquivo Histórico de Ribeirão Preto

O Rei do Café


Imigrante alemão, Schmidt chegou ao Brasil ainda criança e construiu um império agrícola a partir da compra e administração de fazendas.


Com apoio financeiro de empresas exportadoras, expandiu os negócios para diversas cidades da região, incluindo Ribeirão Preto, Sertãozinho, Brodowski, Serrana, Franca e Orlândia. No auge, chegou a possuir 62 fazendas e cerca de 16 milhões de pés de café.

Em 1913, Francisco Schmidt era considerado o maior produtor individual de café do Brasil e recebeu o título de “Rei do Café”.


A importância de Ribeirão Preto na economia cafeeira era tão grande, que a cidade ficou conhecida como “Capital do Café”, reunindo alguns dos maiores produtores do mundo.


O sucesso da produção cafeeira também foi impulsionado pela chegada da Estrada de Ferro Mogiana a Ribeirão Preto, em 1883. A ferrovia reduziu os custos de transporte e permitiu que o café produzido na região chegasse ao Porto de Santos para exportação aos mercados internacionais.


As grandes fazendas passaram a contar com ramais ferroviários próprios, que facilitavam o escoamento da produção e fortaleciam os vínculos entre os cafeicultores e as casas exportadoras e instituições financeiras.


Da fazenda à USP


A crise econômica de 1929 marcou o início do declínio da cafeicultura como principal economia da região. Com o passar das décadas, a Fazenda Monte Alegre deixou de exercer o protagonismo produtivo que teve no início do século XX.


Em 1942, o Governo do Estado instalou no local a Escola de Agricultura “Getúlio Vargas”. Dez anos depois, parte da área passou a abrigar unidades da Universidade de São Paulo (USP), dando origem ao atual campus da instituição em Ribeirão Preto.


A antiga sede da fazenda foi transformada em museu e tornou-se um dos principais marcos da preservação da memória cafeeira da cidade. O local, porém, está fechado por falta de manutenção há quase uma década, mas existem projetos em curso para restauração do memorial.



Por Guilherme Nali, Gabriel Luca*, EPTV, g1 Ribeirão e Franca

13/06/2026


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